SENTO SÉ: HOMENS QUE FIZERAM A VELHA HISTÓRIA DO MUNICIPIO

DR. JUVÊNCIO ALVES DE SOUZA - O MÉDICO DO SERTÃO

Jornal Correiro da Bahia - 10/02/1878
Nos últimos quinze anos, temos dedicado parte do nosso tempo para pesquisas de relatos históricos do, ainda desconhecido, município de Sento Sé. A base do nosso trabalho é o Livro “ Sento Sé – Rico e Ignoto, Biblioteca Virtual da Assembleia Legislativa da Bahia, Anuário Administrativo, Agricola, Profissional, Mercantil e Industrial publicado pela Republica dos Estados Unidos do Brasil em 1913,  2º Volume do ano 69 de existência do Anuário, Biblioteca Virtual da Câmara dos Deputados e Jornal Correio da Bahia Edição Nº 262 – Ano VII de 10 de Fevereiro de 1878.
Anuário da Republico dos Estados Unidos do Brasil  - 1913

DR. JUVÊNCIO ALVES DE SOUZA – filho de tradicional família Sentoseense,( não identificamos o nome de seus pais e data de nascimento), era médico,  formado  pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro na turma de 1913, segundo o Almanaque  Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro - 1891 a 1940  Editada em 1913. Em sua Tese sobre Higiene da criança, do nascimento á queda do  cordão umbilical, Dr. Francisco Basilo Duque, Homenageia seus colegas de Faculdade, entre eles, Dr. Juvêncio Alves de Souza.
Em Sento Sé, foi médico, capitalista e politico, exercendo mandatos no Senado do Estado e Deputado da Província da Bahia, eleito em 10 de Fevereiro de 1878 conforme publicação do Jornal Correio da Bahia Edição 262.

Atualização...27/03/2015
Dr. Juvencio Alves de Souza, nasceu em 15 de Junho de 1837, no povoado de Boqueirão, distante 6 leguas (36 km) de Sento Sé, filho do casal Luis Antonio Alves de Souza e Maria do Patrocinio Sacramento Alves de Souza (Sinhá Dona), sendo seus irmãos – Francisco Luis, José Vitorino (Amigo dileto e seu conselheiro), Luis Antonio (Lulú), Antonio Nunes ( o Nunes Grande), Madalena ( que se casou com um dos Ferreira) e Angelica. Era irmão de dona Maria do Patrocinio o cidadão Antonio Nunes do Carmo, Provedor que foi a Ordem do Carmo, de Salvador.
Dr. Juvencio Alves, iniciou seus estudos na cidade de Juazeiro-Bahia, seguiu moço para Salvador, matriculando se como aluno interno no Colégio Sebrão, onde foi colega de Ernesto Carneiro Ribeiro, o notável mestre da língua portuguesa. Depois de um curso distinto, pela sua inteligência e sua aplicação aos estudos, obteve matricula na Faculdade de Medicina, onde começou a revelar-se pelas suas aptidões para a carreira escolhida.
Formado em 1864 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, atendeu ao chamado da Pátria e seguiu em 1867 para o Sul, contratado como cirurgião do Exército em operações de guerra no Paraguai. Lá se distinguiu como hábil cirurgião e pelo seu destemor na luta contra a “Cólera-morbus” ( a sua tese de doutoramento versou sobre o terrível mal) a qual dizimava as tropas imperiais.
Teve então, a oportunidade de ser médico do General Manoel Luís Osorio, o gaúcho legendário, que terminaria a guerra como Marquês do Herval.
Ao voltar do Paraguai, no posto de capitão-médico e feito Cavaleiro da Ordem de Christo, demorou-se algum tempo na clinica Montevidéu, para então retornar ao Rio de Janeiro, senhor já de uma grande experiência na sua profissão.
Exerceu alí a medicina por certo período, mas as saudades do seu sertão foram maiores que os atrativos oferecidos pela Côrte. Queria ser útil aos seus conterrâneos dos sertões e em 1875, voltou a Juazeiro, onde o chamavam a clinica e a politica e onde teve a oportunidade de prestar serviços médicos a Quintino Bocayuva, abolicionista e propagandista dos ideais republicanos.

Pouco depois resolveu casar-se e transferir a sua residência para Sento Sé, onde, na Casa Grande instalou uma farmácia para servir à população do município. Toda a gente de Sento Sé e de municípios vizinhos foram beneficiados, porque ele examinava, receitava, preparava os medicamentos e muitas vezes, dava ainda a dieta, isto é, dava os alimentos do regime. 

DR. JUVENCIO EM SENTO SÉ
A esposa, dona Amélia, falecida ainda jovem, não concordava em deixar o sertão para ir morar no Rio de Janeiro ou em Salvador e permaneceu em Sento Sé.  O escritor do Livro “Sento Sé – Rico e Ignoto, que era cunhado do Dr. Raul Alves de Souza, que por sua vez era um dos filhos de Dr. Juvencio, cita um trecho de uma carta enviada por dona Amélia, onde fala das saudades do esposo e dos seus cuidados.

Texto do livro:

A austeridade do Dr. Juvencio Alves de Souza, o seu senso de responsabilidade, a sua dedicação à família e, de modo geral, ao seu povo, tornavam-lhe a vida cheia de encargos e provavelmente agradável, ante a consciência do dever cumprido. Ao ser eleito Deputado Geral da Província da Bahia, ocupando a vigésima quarta colocação com 1.201 votos, segundo o Jornal Correio da Bahia, indicou para a representação Provincial seus amigos Alexandrino Guimarães e o Dr. Antonio Rodrigues da Cunha Melo, seu colega e afeiçoado patrício.

Dr. Juvencio Alves elegeu-se para várias legislaturas e quando foi proclamada a Republica, em 1889, estava de novo eleito. Daí, voltou novamente para o Sertão (Seu Sento Sé), para cuidar da família, da clinica, a administração dos seus bens (era capitalista) e para a palestra com seus numerosos parentes, amigos particulares ou políticos, todos nele reconhecendo o homem de excelentes qualidades de caráter, amigo do seu povo, esclarecido e sempre bem intencionado.

Com  a noticia de sua chegada em Sento Sé, muitos doentes dos mais distantes lugares do Vale do São Francisco, alguns em desesperanças, cansados de sofrer, vinham à busca de atendimento e tratamento e muitos voltaram  satisfeitos, louvando, glorificando, falando bem, por ter alcançado a cura de seus males.

A fama de seus sucessos levava um número considerável de enfermos à Casa de Saúde de Sento Sé, a sua própria casa de residencia – a  Casa Grande , convertida em Méca de doentes , corporais e, às vezes , de perturbados espirituais. (Méca – no sentido de abrigo).  A todos atendia sempre, de boa vontade, sabendo compreender como ninguém os seus problemas, chegando a ser conhecido como O Médico do Sertão.

Daí o seu considerável prestigio, tanto moral como eleitoral, prestigio que o levou por fim ao Senado Estadual e Deputado da Província da Bahia pelo Partido dos Liberais, os adversários eram do Partido dos Conservadores.

PATRIARCA DA FAMILIA

Do seu casamento, de pouca duração, o qual foi muito feliz,  nasceram nove filhos. Dr. Juvêncio era o mentor da Família e o guia seguro de toda a sua comunidade, dispensando gratuitamente cuidados médicos, aconselhando aos seus amigos e quase toda a população do município. Incumbiu-se Ele mesmo, de principio, da educação de seus filhos, desde que deixaram a escola primária, lendo-lhes bons livros, ensinando por meio de palestras nas noites longas do nosso sertão, educando mais ainda pelo exemplo de uma vida sem defeitos. Aos três filhos, levou-os para colégios da Capital.
Posteriormente, Dr. Juvêncio Alves, foi convidado por seu amigo, Conselheiro José Antonio Saraiva, presidente do seu partido, para ocupar a Presidência da Província de Alagoas, não tendo aceitado por preferir continuar como Deputado da Bahia. No quadriênio do Governador Luis Viana, desempenhou com zelo o mandato de Senador Estadual e foi influente na politica da cidade de Juazeiro / Bahia. Em reconhecimento, autoridades da época o homenagearam dando nome a uma das mais importante rua no centro da cidade, localizada na esquina da antiga Lojas Silva até o Palácio das Noivas, antigo local do Vaporzinho Saldanha Marinho. No mesmo endereço existiam outras tradicionais casas comerciais: Material de Construção do senhor Ludugero Costa,  a L. Costa & Filhos, Art Foto Paulista etc.

Finalmente, cansado, de tais atividades e também um tanto decepcionado, talvez, por métodos novos com os quais não concordava, não quis mais apresentar a sua candidatura para o Senado, tendo preferido influenciar na eleição de seus filhos. Américo Alves de Souza (nome de um dos distritos de Sento Sé na atualidade), elegeu-se a Deputado Estadual e Raul Alves de Souza, Deputado Federal.
Novamente, Dr. Juvêncio Alves de Souza, voltou a permanecer por período mais prolongados no seio amorável do seu Sento Sé, continuando com a Clinica. Em Sento Sé,  a vida lhe corria bem calma, mais perto da natureza e no convívio dos seus bons amigos, os sertanejos, que viam no seu sacerdócio – a Medicina, a segurança de seu bem estar. Traziam-lhe, por isso, presentes de frutas, de pássaros e dezenas de filhos para que o Senhor Doutor os batizasse – manifestações realmente tocantes do apreço, mesmo da amizade, de toda uma população.

Confortado pelos carinhos das suas filhas, que procuravam compensar os cuidados da sua dedicada esposa, tão cedo afastada do seu convívio, gosava o bem estar de uma velhice sadia e feliz.
Dr. Juvencio Alves de Souza, terminou a sua útil existência, em avançada idade, no Rio de Janeiro.
NOSSO PONTO DE VISTA:
Praça Dr. Juvencio Alves - Nada a identifica - Foto: Osiel Amaral
Atualmente, a  única memoria,   que nos faz lembrar este  ilustre e brilhante homem público, exemplo a ser seguido,  é uma Praça,  onde estão erguidos os prédios da Prefeitura e da Câmara Municipal, a qual leva o seu nome. Igualmente, na mesma praça, não existe se quer, uma placa homenageando-o. Considero um erro, que poderá ser corrigido.

FINAL: Alguém já disse: Um povo sem memórias é um povo sem história

FOTOS DE OUTROS DOCUMENTOS:



AUTORIZAÇÃO:
Permitida a reprodução desde que citada a fonte.

EM TEMPO:

Não encontramos nenhuma foto de Dr. Juvêncio Alves de Souza. Caso você tenha alguma ou sabe de alguém que possui, se possível,  remeta-nos. osielamaral@hotmail.com .
Este relato sobre a vida de Dr. Juvêncio Alves de Souza, não termina aqui. Participe enviando material a respeito do mesmo ou do nosso município.

OSIEL AMARAL ASSIS BATISTA
Radialista e Jornalista
RMT Nº 8067/DF

Um comentário:

  1. Sou filho uma moradora de Sento-Sé e óbvia minha avó falar dessa família. Vou ligar para meu irmão que é amigo do prefeito da cidade para tentar fotos desses persogens.

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