quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Coluna A Tarde: O Brasil é muito maior

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: O Brasil é muito maior
Depois das manifestações do último domingo (16) nas grandes capitais do país, o Palácio do Planalto fez o que já deveria ter feito nos movimentos anteriores. Acossado, o governo Dilma passou a entender, mesmo quando a presidente Rousseff e Lula foram os principais alvos dos manifestantes, que se tratava de uma questão própria da democracia. O governo silenciou e, pelo silêncio tentou, com relativo sucesso (por ora), não medir forças com o grito das ruas. Reconheceu que o melhor a fazer seria ficar na defensiva. Lula desapareceu, o PT se encolheu e esperou que a democracia corrigisse os erros e as crises que se espraiaram pela combalida economia e pelo segmento político complicado. A economia vai demorar a restabelecer o seu caminho, mas a crise política só dependia do Senado e da Câmara. Enfim, do Congresso Nacional.

É isso o que no momento está a ocorrer. Os políticos entenderam o recado das manifestações do último domingo e trataram de se ajustar durante esta semana nas duas casas congressuais. De certo modo, a correção teria que vir exatamente do segmento político, porque Dilma Rousseff se transformou numa marionete com pouco significado, na medida em que os equívocos partiram justamente dos erros e das mentiras cometidos durante o período da sua campanha presidencial que a levou ao segundo mandato. Foram ela e o PT que geraram a crise e a depravada corrupção que colocou o Brasil nas manchetes de primeira página da grande mídia internacional.

Os partidos de oposição passaram também a entender que a democracia brasileira não depende de impeachment nem da renúncia da presidente, mas justamente o contrário do que se imaginava: o sistema terá que ficar inteiro. Se existe uma marionete, que ela permaneça sem cometer ruídos no Palácio do Planalto, com seus ministros também calados. Quanto menos movimento vindo do executivo melhor, porque de certo modo quem cuidará da correção serão o Legislativo e o Judiciário.

Observa-se uma lavagem sem precedentes na corrupção desmedida, através da Operação Lava Jato, graças a um acordo que somou um juiz até bem pouco desconhecido, Sérgio Moro, a Polícia Federal, o Ministério Público e seus procuradores e agora se espera, na fase dos políticos que se iniciará mais adiante, que o Supremo Tribunal Federal cumpra o papel que lhe cabe, já iniciado no mensalão do governo Lula e que acabou enveredando pelo “petrolão”.

Enfim, as linhas tortas escritas por uma presidente incompetente poderão ser corrigidas pelo cumprimento da Constituição de 1988 que transformou o país numa democracia moderna. É por aí que o país terá que se impor ao mundo para afirmar que, apesar de tudo, o Brasil seguirá adiante. O seu futuro terá que ser muito maior do que isso que hoje se observa.

* Coluna originalmente publicada na edição desta quinta-feira (19) do jornal A Tarde

Fonte: BN
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