sexta-feira, 4 de setembro de 2015

REGIONAL: O DRAMA DA ESCASSEZ DE ÁGUA NO RIO SÃO FRANCISCO

As poucas chuvas nos últimos três anos no curso do Rio São Francisco tem provocado mudanças na paisagem das cidades ribeirinhas. Em Sobradinho, como mostra o vídeo abaixo, é possível notar a formação de bancos de areia em uma extensão do rio e por onde se costumava trafegar em embarcações é possível andar a pé ou em automóveis.
Na cidade de Abaré a realidade não é diferente. Com o nível do rio baixo formou-se uma prainha onde as pessoas costumam, ao invés de tomar banho, jogar bola.
Segundo dados da Chesf, a Barragem de Sobradinho, atua abaixo dos 13% da sua capacidade de 34 bilhões m³/s. O nível do Rio São Francisco vem sendo reduzido paulatinamente pela Chesf desde 2013, quando saiu, na época, de 1.300 m³/s para os atuais 900 m³/s.
Mas as dificuldades vivenciadas pelas comunidades ribeirinhas com a escassez de chuvas, principalmente os projetos irrigados onde há a ameaça de diminuição da produção, deverão ser amenizadas nos próximos meses. A expectativa é de que as chuvas irão chegar a região a região do Vale do São Francisco a partir da segunda quinzena de novembro, segundo o Professor e Meteorologista da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), Mário Miranda.
Eventualmente pode chover antes da estação chuvosa. A previsão é que a partir do dia 15 de novembro, segunda quinzena do mês, até abril chova na região. A expectativa é que volte a ter uma situação melhor de chuvas do que nos últimos quatro anos. A redução das chuvas aconteceram no passado e estão acontecendo no presente. Tivemos anos com muita chuva e anos com pouca chuva. É uma situação cíclica”, pontuou o professor em entrevista ao Blog Geraldo José.
De acordo com Mário Miranda, as chuvas que chegam a região do Vale do São Francisco são oriundas também do Planalto Central, além de Minas Gerais. As chuvas no Planalto Central já estão sendo esperadas para o próximo mês. “No sul de Minas Gerais já começou a chover. As chuvas que caem em Brasília também vem para a nossa região. A Expectativa é que comece a chover em outubro em Brasília”, afirmou.
O professor Mário Miranda também explicou o histórico de secas no Brasil. “Todas as regiões da Terra existem secas e enchentes.  No Sudeste predominou seca entre os anos de 1934 e 1936 e não apenas em 2014. Na Bahia a pior seca que se tem registro, no século XX, foi a de 1932. No Semiárido em 2004 tivemos chuvas fortes e até 2010 não se via falar em seca”, afirmou.
A situação mais crítica na Barragem de Sobradinho ocorreu em outubro de 2001, quando o volume útil atingiu 6,29%. Ainda para Mário Miranda a formação de bancos de areia ao longo do curso do Rio São Francisco acontece em virtude da vazão do Lago de Sobradinho e não pelo fenômeno da seca. “No passado o Rio São Francisco já foi mais raso. Os bancos de areia estão se formando através do controle da vazão da barragem de Sobradinho. É melhor menos água agora do que faltar. A barragem tem segurado a água, caso contrário a água já tinha se esgotado”, acrescentou.
A probabilidade de chuvas fortes até o final dessa semana é pequena, porém podem ocorrer chuvas finas em algumas áreas. 
A seguir confira um vídeo enviado ao Blog Geraldo José onde é possível notar as consequências da longa estiagem na cidade de Sobradinho. A reportagem do Blog também preparou uma série de fotos, registradas pelo cinegrafista Ailton Nery, do Rio São Francisco visto pelas cidades de Pilão Arcado, Remanso e Sobradinho.  
Nos gráficos a seguir é possível fazer um comparativo sobre o volume de água na Barragem de Sobradinho nos anos de 2001 e 2014. 
Da redação Alinne Torres / Fotos: Ailton Nery / Vídeo: Reprodução

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