quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Coluna A Tarde: O país desaba a cada dia

por Samuel Celestino
Coluna A Tarde: O país desaba a cada dia
Foto: Acervo pessoal
Enquanto, por ora, o Palácio Planalto silencia, a crise econômica do País ganha contornos como há anos não vista. As expectativas para 2016 não eram positivas, é certo, mas se imaginava que, em relação ao ano anterior, haveria uma mudança para melhor, o que não está a acontecer. Pelo contrário. O PIB do país dá sinais de que continuará negativo e, somando com o do ano passado, poderá chegar a 6% ou 7%, determinando uma situação complicadíssima e uma queda inimaginável, que atingirá de maneira geral, a população de todo o País. Até agora o governo não toma o menor iniciativa para, pelo menos, sinalizar de que está ativo, ou atento. Não é isso o que o governo Dilma expõe. O que se observa é um descalabro que tende a se generalizar, até que ponto é difícil saber.

O retorno após o recesso político está a ocorrer como se presumia. As imensas dificuldades do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, permanecem como em dezembro passado. Por ter sido notificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot (antes do recesso do Supremo Tribunal Federal), Cunha passa a ficar contra as cordas e terá como prazo apresentar a sua defesa até o final deste fevereiro.

Tem apenas dez dias para se pronunciar. Eduardo Cunha está sem saída. Dificilmente estará em condições de se manter no cargo por muito tempo. Seu mandato como presidente da Câmara terá um prazo máximo em torno de 90 dias, como se supõe e assim se aguarda, dentre muitos o procurador-geral da República. Cunha tem diversos desafetos, inclusive Rodrigo Janot, como é do conhecimento. O presidente da Câmara faz parte do numeroso grupo que se envolveu em corrupção na Petrobras, e outras mais, investigadas pelo “Lava Jato”.  Enfrenta dificuldades e muitas complicações, mas as expõe com uma face cínica de poucos.

Enquanto aqui na Bahia o governo do Estado tem oferecido sinais positivos de gestão, Rui Costa à frente, o mesmo ocorrendo com a prefeitura de Salvador, com ACM Neto, o País está imerso em problemas impensáveis. O Conselho Nacional do Ministério Público poupou, ontem, a partir de uma liminar impetrada pelo deputado petista (SP),  Paulo Teixeira, que foi acatada, livrando Lula e Marisa Letícia. Foram então liberados para não prestarem depoimentos sobre o apartamento tríplex do condomínio Solaris, em Guarujá.

O PT está no momento voltado exclusivamente para a defesa do ex-presidente e deixa à margem Dilma, cuja popularidade está distante da de Lula. Ademais, o grande nome do partido é o seu fundador, cuja imagem está também em queda, mas muito melhor do que a imagem de Rousseff.  

Esta observação ficou constatada na manhã de ontem quando uma aglomeração de integrantes petistas se concentrou à frente do Fórum da Barra Funda, em São Paulo, onde Lula e Marisa iriam depor. Eram na verdade dois grupos, um contra, outro a favor. Foi necessário que o policiamento da PM organizasse os grupos litigantes, estabelecendo barreiras para impedir atritos. Mesmo com a liminar concedida, com já era do conhecimento, houve princípios de conflitos e tumultos. Isso demonstra a organização do PT, que cai em popularidade, mas mantém a forma de se organizar, os manifestantes que vem de há muito, provavelmente com pagamentos em dinheiro para ampliar o número dos integrantes.

Na verdade, esta é uma forma de se proceder também em relação aos comícios e não somente. Além das manifestações, principalmente, durante as campanhas eleitorais que ocorrem em todo o País com recursos oriundos do setor privado para alimentar os partidos políticos. Este processo passou a ser proibido. Espera-se que não venha ocorrer nas eleições municipais que serão realizadas este ano.

A queda do Partido dos Trabalhadores, em retorno ao tema, é oriunda da critica situação complicada que Dilma demonstra; da falta de explicação de Lula sobre os acontecimentos que se registram em torno do seu nome e dos seus familiares; e da corrupção que teria alcançado os dois mandatos presidenciais que comandou. Já Dilma, pilotando um governo impopular, se afirma honesta. Pode ser. Sobre seu mandato ela não sabe para onde vai. Há muitos problemas que terá que superar e que estão em plena ordem do dia.

* Coluna publicada originalmente na edição desta quinta-feira (18) do jornal A Tarde
Home Ads