domingo, 20 de março de 2016

OPINIÃO DO LEITOR: - DILMA E LULA: ENTRE A FARSA E A TRAGÉDIA



O velho Karl Marx lembra em uma de suas obras, citando Hegel,  que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, mas acrescenta: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. A história recente do Brasil parece dar razão a Marx.

Em 1954,  frente à crise política e econômica do país e a iminente imposição de uma ditadura militar, o presidente Getúlio Vargas deu um tiro no peito e assim evitou o golpe de Estado que, infelizmente, viria 10 anos depois. Getúlio transformou sua tragédia em salvação nacional.

Em 2016, frente à crise política e econômica do país e a crescente onda de denúncias contra ele nas cortes de Justiça, o ex-presidente Lula resolve tornar-se ministro de um governo desacreditado e impopular, no primeiro caso de um ex-presidente que volta ao poder para ser ministro de Estado subordinando-se a quem ajudou a eleger. Em ambos os casos, as denúncias de corrupção pululavam e a crise se alastrava paralisando o país, mas, enquanto Getúlio fez da sua morte uma tragédia nacional e saiu da vida para entrar na História, o ex-presidente Lula, ao aceitar,  ansioso apenas pelo foro privilegiado, voltar a ser ministro  fez do seu ato uma comédia e pode entrar para a história como farsa.

A população brasileira não deseja, nem espera do Presidente Lula um ato heróico e desesperado como o de Getúlio Vargas, mas esperava dele um ato de maior grandeza que provasse, pelo seu desprendimento, a sua inocência ou pelo menos o desconhecimento dos atos que estão a lhe imputar.  Mas, ao entrar para o governo  da Presidente Dilma, o ex-presidente Lula apequenou-se frente à História. E apequenou-se ainda mais quando foram divulgadas em rede nacional as conversas, chulas e cheias de impropérios, nas quais pretendia explicitamente obstruir as investigações judiciais.
 
Lula não merece ser comparado a Getúlio, está longe da sua grandeza, no entanto por sua história e pela tentativa de tornar este país menos desigual merece um lugar na História, mas apequenou-se ao entrar no governo Dilma Rousseff e está apequenando-se a cada dia na tentativa desesperada de salvar a si mesmo e de manter o poder. 

Dilma, distante da tragédia que ronda os estadistas, sempre esteve muito próxima da comédia – explicitada no gargalhar que provoca com suas alocuções desarticuladas e risíveis – e da farsa, explicitada nos discursos sem consequência, nas promessas irrealizáveis e nas decisões sem seguimento. Frente à crise econômica e política que atravessa o país e as denúncias que atingem seus ministros e ex-ministros, Dilma distanciou-se definitivamente da tragédia e, ao abdicar do seu poder entregando-o ao ex-presidente Lula, também caminha célere para entrar para História como farsa,

Dilma jamais demonstrou ter o molde dos grandes presidentes e, ao aceitar a renúncia branca que marca sua incapacidade de governar, mostrou que, do alto do seu bonapartismo e da sua arrogância, assemelha-se  cada vez mais ao ex-Presidente Color, de triste memória, e muito terá de fazer para não dividir com ele o mesmo lugar na história.

                                 MINISTRO NEM SEMPRE SALVA

Ministros, mesmo os notáveis como Lula, nem sempre são capazes de salvar  os governos que não tem apoio popular ou um projeto de país e que se mantém no poder apenas pelo poder.  O exemplo disso é o próprio ex-presidente Fernando Collor que, ameaçado pelo impeachment, montou um ministério de notáveis, com ministros como  Marcílio Marques Moreira, Célio Borja, Eliezer Batista, que diziam ser ministros do Brasil e não do presidente. Mas, no presidencialismo, não há  ministros do Brasil, há apenas ministros do presidente, nomeados e exonerados “ad nutum”.  Lula tornou-se somente um ministro de Dilma, um sócio da sua impopularidade, e, ao invés de salvá-la, pode ir ao fundo com ela.
  
                              A BRASKEM E A BAHIA

A Braskem é a maior empresa petroquímica da Bahia e a fundação sobre a qual se apoia o Polo Petroquímico de Camaçarí . A Petrobras já anunciou seu interesse em vender sua participação de 36% das suas ações na petroquímica. Até aí, tudo bem, a Braskem é um ativo sólido, com higidez financeira e em expansão no mercado globalizado, assim  são muitos os interessados em sua aquisição, como  a empresa chinesa CNOOC - China National Offshore Oil Corporation, a canadense Brookfield, a saudita Saudi Aramco e até as americanas Dow e ExxonMobil. Mas engana-se quem acredita que essa transação seja apenas um negócio privado, pois ela interessa ao Estado, ao município de Camaçari e a toda a economia baiana.

A Braskem é o centro da cadeia petroquímica na Bahia, é a empresa que fornece insumos e matérias-prima para as demais empresas do distrito, inclusive a Basf, recentemente instalada, e que possui relações interindustriais que viabilizam os investimentos atuais e os futuros. É ela que vem garantindo a competitividade do polo petroquímico da Bahia, que já tem quase 40 anos, e que sem os investimentos da Braskem já estaria obsoleto.

E Polo é um dos esteios da nossa economia,  com faturamento superior a US$ 10 bilhões, gerando milhares de empregos, milhões em impostos para o estado e respondendo  por grande parte da arrecadação tributária do município de Camaçari. Sem a Braskem,  o PIB da indústria de transformação baiana, que já caiu quase pela metade entre 2010 e 2016, vai cair ainda mais. Em resumo: a venda da Braskem pode ter forte impacto na economia baiana e no setor público estadual, por isso precisa ser acompanhada  com carinho, pelo governo do Estado e pelas lideranças empresariais.
 
                        A RECESSÃO EXTINGUE AS EMPRESAS

Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano o número de empresas extintas chegou a 2,4 mil, quase três vezes mais que no mesmo período de 2014. Os setores onde mais empresas foram eliminadas foram o comércio e a prestação de serviços, mas a construção civil também surpreendeu com o fechamento de 70 empresas, quatro vezes mais do que no mesmo período do ano passado, segundo dados da Junta Comercial da Bahia.
 
Milhares de empresas são abertas e fechadas por ano, por isso é bom ter cuidado com esse indicador, mas chama atenção que o número de novas empresas constituídas entre janeiro e fevereiro de 2016 tenha sido praticamente o mesmo do ano passado e menos da metade do número de empresas extintas. Tradicionalmente, o número de empresas constituídas é sempre maior que o número de empresas extintas.   Ou seja, os empresários baianos não só estão encerrando as atividades empresariais, como estão perdendo a esperança e deixando de abrir novas empresas.
 
                                                CRIANDO ENGARRAFAMENTOS

Um erro de engenharia de trânsito criou um engarrafamento sem sentido na  Rua Edistio Pondé, que está tomando todo o Bairro do Costa Azul na direção da sede da FIEB e se estendendo até a ladeira  que dá acesso a  universidade Estácio/FIB e ao  Centro de Convenções. Além da sinaleira colocada em local inadequado, algum iluminado resolveu dividir e estreitar a pista da Av. Tancredo Neves que recebe  um enorme fluxo de veículos vindo, do Stiep e da Av. Magalhães Neto,  construindo um enorme meio fio que vai até a proximidade do Hospital Sara Kubitschek. A via tornou-se uma espécie de tronco, onde se espremem os automóveis, uma verdadeira via crucis para quem transita por ali.

Fonte: Bahiaeconomica 
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