segunda-feira, 21 de março de 2016

OPINIÃO: A falta que o compromisso faz, por Raul Monteiro

Foto: André Dusek/Estadão

Presidente Dilma Rousseff (PT)
A cultura da irresponsabilidade praticada enquanto foi oposição acompanhou de forma absolutamente nefasta o PT no governo. Mas piorou imensamente quando o partido começou a ser pilhado em desvios éticos graves, primeiro com o mensalão, e, agora, mais recentemente, com o petrolão. Sem justificativas para a maioria dos atos que pratica e defende, o PT tem se escudado basicamente na negação dos fatos e, no limite, na mais deslavada mentira, para enfrentar os questionamentos que lhe fazem a sociedade e instituições como a imprensa e a Justiça.
O episódio das interceptações telefônicas em que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff foram pegos tratando de sua nomeação para o ministério como forma de escapar de uma eventual prisão determinada pelo juiz Sérgio Moro é um exemplo nítido de como as principais lideranças petistas têm pouquíssimo apreço pela verdade, entregando para uma plateia previamente definida por características como desinformação e cega submissão ideológica versões que não encontram respaldo na realidade. Dilma não foi gravada ilegalmente coisa nenhuma.
Nem grampear um presidente da República atesta o desrespeito do Judiciário pelas regras democráticas, como ela vem repetindo deliberadamente a fim de transformar uma mentira em verdade. Na realidade, a presidente foi flagrada porque conversou com Lula, que estava sendo legalmente monitorado pela polícia por ordem da Justiça. A tese argumentativa da presidente, uma espécie de guia discursivo repetido pelas lideranças da legenda com fins de ser reproduzido acriticamente pela militância, está longe de contentar quem analisa os fatos consubstanciado por informações.
Pelo contrário, só aumenta naqueles que mantêm ativa a capacidade de refletir e questionar a indignação de ver sua inteligência abertamente aviltada por alguém que deveria, além de agir com rigor, zelar pelos valores mais importantes e fundamentais da República. É fato que a elevação da rejeição a Dilma encontra enorme amparo na profunda crise econômica que o país atravessa e cuja maior responsável é ela própria e seu novo ministro, embora, dourando a cara de pau, a primeira mandatária não se canse de atribuir a culpa a injunções internacionais.
Mas a presidente incentiva exponencialmente a repulsa a ela e a seu partido ao desconsiderar que governa para todos os brasileiros, inclusive para aqueles que não se deixam levar por versões que só contentam a quem faz parte, de alguma forma, de seu grupo. Usar o ministério para proteger Lula depois de manifestações populares espontâneas e significativas que repudiaram ela e o ex-presidente é o maior exemplo do desprezo com que Dilma trata o contingente da população que só faz se avolumar apavorado com os elevados riscos que seu descompromisso impõe ao país.
* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia/POLITICALIVRE
Raul Monteiro*
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