domingo, 17 de abril de 2016

SÃO PAULO: Na Paulista, ambulante dribla a crise vendendo pixulecos

Foto: Divulgação

Passava das 17h30, de sexta-feira, 15, na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, dois dias antes da votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados. Nas costas de Jefferson Luiz, de 29 anos, uma mochila preta e pesada, desses modelos escolares com várias divisórias. Nas mãos, os três personagens mais falados no País atualmente: Dilma, o ex-presidente Lula e o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato.Cada pixuleco – como ficaram conhecidos os bonecos infláveis – sai por R$ 20. Uma Dilma com sorriso diabólico e um Lula triste vestem uniformes de presidiários, em preto e branco, com o número 13-171 no peito. O juiz é forte e sério. Tem capa e uniforme nas cores verde, azul e amarelo ufanistas com um emblema SM. As iniciais brincam com o que poderia ser SuperMan (super homem, em português), mas se referem a Sérgio Moro.”Graças a deus, está vendendo bem”, diz em tom de alívio. Na mochila, se apertar bem os pixulecos em cada divisória, dá para guardar centenas deles. Todos vazios. “A pessoa enche na hora”, ri. Cada um com seu esforço, seja para driblar a crise econômica seja para afagar as crenças em vilões e mocinhos no Planalto.Neste domingo, 17, o plenário da Câmara vota para decidir se o processo de impeachment segue em frente ou é arquivado. Com 342 votos contra o governo, o processo segue para o Senado.Os parlamentares deverão começar a votação a partir das 14h, na Câmara dos Deputados, em Brasília. No mesmo horário, o ambulante conta que estará na Avenida Paulista com seus pixulecos à venda.Jefferson afirma que, desde março, se sustenta com a venda dos bonecos. Ora na Paulista, ora na Praça da Sé, outro ponto de concentração de manifestações no coração da capital.
Estadão Conteúdo/politicalivre
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