quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Declínio do PT: partido perde poder em 374 cidades

A contagem dos votos no primeiro turno das eleições municipais de 2016 deixou ainda muitas questões a serem respondidas: das 92 cidades com mais de 200 mil eleitores, em 55 haverá segundo turno. Uma certeza, porém, já foi dada pelas urnas: o Partido dos Trabalhadores (PT) sofreu sua maior derrota desde que assumiu o comando do país, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.
O resultado de domingo mostra que o PT é, até agora, apenas o décimo partido em quantidade de prefeituras, com 256, subtraindo seu poder em 374 cidades. Há quatro anos, o partido terminou a disputa municipal em terceiro, com 630. O desempenho foi ainda pior nas grandes cidades do país. Mesmo disputando as eleições em 54 municípios com mais de 200 mil eleitores, a legenda venceu em apenas um — Rio Branco, no Acre, com Marcus Alexandre — e levou sete candidatos ao 2º turno.
Os resultados deste ano deixam o PT com 241 mil eleitores governados nos municípios mais populosos, podendo chegar a 3,3 milhões caso seja bem sucedido em todas as disputas que terá no fim do mês. Em 2012, na primeira eleição após a chegada de Lula ao poder, o eleitorado sob sua influência ultrapassava 15 milhões de pessoas.
O espólio do PT foi dividido entre sete partidos. PSDB, PSD, PP, PDT, PR, DEM e PTB ampliaram as prefeituras que vão administrar nos próximos quatro anos. O PSDB teve a maior ascensão: venceu as eleições em 791 municípios, 105 a mais que em 2012.
O desempenho tucano foi impulsionado pelas vitórias em São Paulo. Além da capital, onde João Doria se elegeu no primeiro turno deixando o atual prefeito Fernando Haddad (PT) em segundo, o partido obteve importantes conquistas em São José dos Campos, Santos, Mogi das Cruzes, Piracicaba, Itaquaquecetuba, Taboão da Serra, Praia Grande e Barueri — todos os tucanos venceram com mais de 50% dos votos. O eleitorado sob sua administração nas grandes cidades chega a 12,6 milhões de pessoas. O PSDB ainda vai disputar o segundo turno em oito capitais e 11 municípios.
— (O desempenho do PT) Não é surpresa. Trata-se, aliás, da única expectativa absolutamente esperada. No mais, vimos situações muito singulares, como a experiência de São Paulo, onde o João Doria venceu no primeiro turno, e no Rio, onde o candidato da máquina (Pedro Paulo, do PMDB), em que se esperava que tivesse oportunidade de chegar ao segundo turno, não chegou. No mais, o desempenho do PSDB e do PMDB não fogem ao esperado — afirma o cientista político Cláudio Gurgel, professor de Administração Pública na UFF.
Embora tenha conquistado o maior número de municípios no Brasil, com 1.027, o PMDB não aproveitou o declínio do PT para ampliar seus domínios. O partido manteve a média de 18% de vitórias da eleição passada, e se elegeu para apenas doze prefeituras a mais que em 2012. A sigla obteve cerca de 14,8 milhões de votos. Os peemedebistas, no entanto, celebram a participação em 12 disputas de segundo turno.
Apesar de ficar de fora do segundo turno no Rio, onde controla a prefeitura desde 2008, na primeira eleição de Eduardo Paes, o PMDB ganhou em duas cidades da Região Metropolitana: Nova Iguaçu, com Nelson Bornier, e Belford Roxo, com Waguinho.
O Globo/waldineypassos
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