domingo, 15 de janeiro de 2017

É preciso cautela com a vacinação indevida contra febre amarela

Imagem de Internet
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
Os casos de febre amarela silvestre no norte de Minas Gerais geraram uma corrida em busca da vacinação no Estado, mas é preciso cautela com a imunização indiscriminada e sem indicação.
Embora muito segura e com eficácia que chega a 90%, a vacina contra a febre amarela pode causar reações adversas, como qualquer medicamento. Os casos graves são raros, porém, crescem em quantidade conforme aumenta a população vacinada.
O cuidado neste momento se faz necessário porque a situação remete ao que ocorreu no verão de 2007/2008, quando, após casos de febre amarela silvestre em Goiás, com intensa cobertura da imprensa, houve uma corrida pela vacinação em todo o país.
Em menos de dois meses, entre final de dezembro de 2007 e meados de fevereiro de 2008, mais de 7,6 milhões de doses foram aplicadas– 6,8 milhões só em janeiro de 2008. À época, a quantidade era equivalente a uma demanda de quase seis meses de vacinação em todo o país.
Como resultado dessa corrida maluca (que, depois, mostrou-se desnecessária porque o número de casos estava de acordo com o ciclo natural silvestre da doença), houve oito casos de reação adversa grave à vacina, com seis mortes. Três delas por doença viscerotrópica, que pode causar choque, derrame pleural e abdominal, e falência de múltiplos órgãos. Foi um número alto em relação à série histórica anterior e relacionado, muito provavelmente, ao número igualmente muito alto de doses aplicadas em curto período.
Em nove anos (1999-2007), o Ministério da Saúde havia registrado oito casos da doença, com sete mortes.
O problema pode atingir uma pessoa a cada 400 mil vacinadas, segundo a literatura médica. Encefalites também são episódios raros. Reações mais brandas, como dores no corpo, na cabeça e febre, podem afetar entre 2% e 5% dos vacinados. Por isso, é preciso seguir à risca as orientações das autoridades sanitárias sobre quais regiões e grupos populacionais devem vacinados.
Por exemplo, não devem receber a vacina gestantes, crianças com menos de seis meses de idade, alérgicos ao ovo e seus derivados e imunodeprimidos por doenças como câncer e Aids ou por tratamentos (imunossupressores, radioterapia etc).
Pessoas com doenças autoimunes (como lúpus e artrite reumatoide) devem ser avaliadas caso a caso, preferencialmente pelo médico que já as acompanha.
Entre as mortes por reação vacinal em 2008, pelo menos duas foram de pessoas para quais a vacina era contraindicada. Em Goiás, um vigilante que já tinha danos no fígado por hepatite B morreu dias depois de ser vacinado. Em São Paulo, uma enfermeira que tinha lúpus também morreu com suspeita de febre amarela vacinal.
A experiência mostra que todo cuidado é pouco na interpretação e divulgação de dados epidemiológicos.
Fonte: e-farma
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