quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Ação que facilita acesso a água é realizada pela codevasf em comunidades rurais de Remanso, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Sento-Sé e outras cidades da região

POR SOUZA FILHO
16/02/2017 17:28
Cerca de meio milhão de reais já estão assegurados, pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), para investir este ano em ações que contribuem para o acúmulo de água de chuvas na zona rural de onze municípios do Norte baiano cuja população convive com os efeitos da estiagem prolongada.
Serão R$ 579 mil aplicados na execução de obras e serviços de engenharia civil para construção, limpeza ou desassoreamento de 40 aguadas. Em alguns municípios, como Mirangaba e Ourolândia, os trabalhos já começaram. Também vão receber a ação comunidades rurais de Campo Alegre de Lourdes, Campo Formoso, Curaçá, Sento Sé, Remanso, Pilão Arcado, Juazeiro, Glória e Chorrochó.
“Agora é só esperar a chuva”, comemora o produtor familiar Adelício Gomes da Cunha, da fazenda Riacho Branco, em Mirangaba, onde uma aguada já foi concluída. Ele mantém, junto com três filhos, um pequeno rebanho de bovinos e planta mandioca, feijão, milho e capim para forragem.
Os recursos federais investidos na ação são do Orçamento Geral da União destinados à Codevasf por emendas parlamentares; os trabalhos ficam a cargo da 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro.
A ação tem como objetivo melhorar a condição dos reservatórios já existentes e a construção de novos para acumulação de água da chuva – que pode ser utilizada por um período de até um ano, dependendo do índice pluviométrico anual da região.

As aguadas já existentes e as previstas para construção possuem um volume de acumulação que varia entre 7 e 21 metros cúbicos de água. O líquido acumulado é usado na dessedentação animal e em pequenos cultivos, como de hortifrutigranjeiros ou de forragem para sobrevivência de pequenos rebanhos.
No interior dos municípios de Campo Formoso, Curaçá, Glória, Juazeiro, Pilão Arcado e Remanso, a iniciativa vai beneficiar cerca de 20 agricultores familiares em cada um, totalizando algo em torno de 120 famílias.
Em Sento Sé, serão 40 famílias com acesso à água facilitado. Já em Ourolândia, a previsão é de que as aguadas atendam 50 famílias. Nas localidades rurais dos municípios de Chorrochó e Mirangaba, cerca de 60 famílias, em cada um, deverão ser beneficiadas. O maior número de beneficiários está concentrado no município de Campo Alegre de Lourdes: 70 famílias. O prazo para conclusão dos trabalhos em todas as localidades previstas é de dez meses.

Dentro do cronograma
O agricultor familiar Adelício Gomes da Cunha, conhecido como Seu Nego, afirma que a aguada já concluída nas proximidades da fazenda Riacho Branco, em Mirangaba, onde vive e produz, “foi bem feita”. “Nós estamos muito satisfeitos, pois aqui a seca é muito grande”, frisa o sertanejo.
Segundo ele, naquela região há dois períodos de chuva: de dezembro até abril, e de junho até o final de julho. “Ainda estamos dentro da previsão; e agora, com essa aguada que foi construída aqui na nossa localidade, as coisas vão melhorar. É só a chuva chegar”, aposta.

De acordo com Wellington Vinícius, técnico da Codevasf em Juazeiro e responsável pelo acompanhamento dos trabalhos, em Mirangaba e Ourolândia os serviços estão dentro do cronograma previsto. “Nossa equipe de topografia já está atuando nos municípios de Campo Formoso e Chorrochó”, acrescenta.
Convivência com a seca
Para o superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto, “um dos objetivos da Codevasf é levar melhorias ao homem do campo, tão sofrido com a falta de água. São ações como essas – desassoreamento e/ou construção de aguadas e barreiros -, que possibilitam que o pequeno produtor possa permanecer em seu lugar e sustentar sua família”.
No Brasil, as áreas mais afetadas pela seca estão no semiárido. Na Bahia, segundo a superintendência de Proteção e Defesa Civil do governo baiano (Sudec), mais de um milhão de pessoas são atingidas pela falta regular de água. São 76 municípios relacionados em um levantamento recente; destes, 54 já tiveram estado de emergência reconhecido pelo governo federal em razão da estiagem.
Na região norte, 27 municípios fazem parte da área de atuação da 6ª superintendência regional da Codevasf, sediada em Juazeiro; desse total, oito encontram-se em situação de emergência: Abaré, Chorrochó, Curaçá, Jeremoabo, Miguel Calmon, Remanso, Santa Brígida e Uauá.
Ascom
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