quarta-feira, 15 de março de 2017

A República sem saída

por Samuel Celestino
A República sem saída
Foto: Alan Santos/PR
Já era do conhecimento público que Michel Temer pedira dinheiro, ou, se quiserem, ajuda financeira a Marcelo Odebrecht, então presidente da empreiteira. Isso em 2014, num jantar do Palácio do Jaburu, cuja missão foi transferida a Melo Filho, um dos muitos intermediários da Odebrecht. Marcelo, na sua explosiva denúncia na semana passada, logo na quarta-feira de cinzas, preferiu dizer que nada sabia do pedido de dinheiro feito por Temer. Deixou esta missão para Melo Filho, um dos seus ex-executivos. O dinheiro foi repassado por ele para Eliseu Padilha, hoje ministro, em torno de R$ 10 milhões. Como na época Michel Temer era vice-presidente da República, e não poderia ter a percepção que chegaria à Presidência a partir da derrocada de Dilma Rousseff, supôs que estava a cavalheiro para realizar o pedido que fez. Aí vem outra história que atinge o presidente: ele sabia de tudo o que acontecia na República, como Dilma também sabia. Tudo aconteceu enquanto o PT comandava o país. Foi quando tudo começou com a corrupção desenfreada, à frente as empreiteiras e políticos. Daí a situação calamitosa que o país enfrenta, com a maior crise que se tem notícia, que  permanece. Ora, se Temer sabia de tudo, a pergunta que se faz é se ele teria condições de comandar a República. Não havia alternativa. Na condição de vice, teria mesmo que assumir. Com as informações que agora chegam sobre ele, por saber de tudo, já não dá para retirá-lo do poder. O único jeito é mesmo ir em frente, sabendo-se que não há outra alternativa e esperar que, em 2018, possa chegar ao comando alguém que tenha decência e competência. Porque Temer absolutamente não tem.

Fonte: Bahianoticias/07/03/2017
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