domingo, 19 de março de 2017

CONGOS DE SENTO SÉ MANTÉM TRADIÇÃO

A tradição dos Congos em Sento Sé vem sendo cultuado e perpertualizado pelas famílias do saudoso Séo Cantonilio e Zé Verdim,  que lutam para   florescer   um dos mais autênticos folclóricos do município.
Hoje,  saíram às 06h, da Rua Eunapio Peltier, em direção à sede da instituição situada na praça do bairro Tombador para hasteamento da Bandeira do Rosário.   A congada é um evento que faz parte do folclore brasileiro. Trata-se de um desfile ou procissão que reúne elementos das tradições tribais de Angola e do Congo, com influências ibéricas no que se refere à religiosidade. Esse fenômeno cultural é conhecido como sincretismo religioso: entidades dos cultos africanos eram identificados aos santos do catolicismo. Assim, a Igreja, as autoridades e os senhores de engenho em geral aceitavam ou prestigiavam a solenidade.
A tradição dos Congos em Sento Sé vem sendo cultuado e perpertualizado pela família do saudoso Séo Cantonilio e Zé Verdim, que lutam para   florescer   um dos mais autênticos folclóricos do município.
Hoje, dia de São José, os Congos se reuniram e em desfile, com cânticos e ao som de Pandeiros de fabricação própria, saíram às 08h30min, da Rua Eunapio Peltier, em direção à sede da instituição situada na praça do bairro Tombador. Lá enfeitaram  o mastro onde foi colocada a Bandeira em homenagem a Nossa Senhora do Rosário.

Séo Doga - um dos antigos em atividade                                         


FATOS HISTORICOS DOS CONGOS NA ANTIGA CIDADE SEGUNDO O LIVRO “SENTO SÉ - RICO E IGNOTO”

Em tempos melhores, quando havia alegria em Sento Sé, a saber, quando havia mais chuvas e dirigentes mais compreensivos, o povo gostava de cantar.
Cantavam ao som das violas nas noites enlaradas – o luar do sertão...
- Cantavam nas beiras das lagoas ricas de peixes, cantava depois das pescarias, nas suas festas. Destas, a dos “Congados” é a mais curiosa. Em Sento Sé tem ela se conservado com as características dos velhos tempos. Os homens – não há idade para ela – trajam-se com uma bata, um casado de mulher, geralmente bem arrendada, caindo sobre as calças de “tororó”, o brim grosso que costumam usar. Completa a fantasia um capacete cilíndrico, aberto dos dois lados ( talvez para melhor arejamento), profusamente enfeitado de cores vivas e brilhantes, à custa de papeis prateados e de pedaços de espelho, tendo, pendentes da parte porterior, umas pontas de fitas também multicores. Gostam os “dançantes” de confiar esta ornamentação a pessoas da cidade, sendo a preferencia uma prova de estima. Munem-se de tambores surdos, de “caixas” sonoras, de pandeiros quadrados, para os quais os pobres gatos, as vezes, também concorrem com as suas peles. Bem ensaiadas as suas cantigas, só falta chegar o dia e, por ultimo, mas não menos importantes, uns tragos de aguardente.
Está formada a “dança dos congados”. Percorrem por vários dias as ruas os “dançantes” (atualmente só no sábado de aleluia e no domingo de ramos), fazem visitas às principais residências da sede e não deixam nunca de ir render a sua homenagem ingênua e muito sincera ao Padroeiro, no adro de sua Igreja, como “ o rei a rainha, o coronel, os príncipes”, para reverenciar a imagem. E com isso se distraem e divertem a população por muitos dias, até que o trabalho das roças os chame à realidade da vida. Voltam, então, ao seu duro labor mais satisfeitos e convencidos de que farão ainda melhor na próxima festa.
Vão diminuindo de entusiasmo estas festas. Os novos, em boa parte, foram para “San Paulo”; os velhos vão ficando cansados. Talvez dentro em pouco dos “congados” reste, apenas, uma lembrança, que esta, também, o tempo consumirá. E é pena.
A BANDEIRA DO ROSÁRIO
Em meados do ano, três elementos da população da sede “entram”, o que vale dizer, internam-se pelas caatingas, alertando o povo para as festas de São José, em março, e conduzindo a “Bandeira” tradicional. Um deles toca uma “caixa”, à entrada dos povoados ou à porta de casas isoladas, nas fazendas ou em plena caatinga. Ninguem se nega a contribuição, antes solicitam todos como favor que a “Bandeira” os procure para que a beijem e possam dar a sua esmola.



Conheci nesta faina caridosa o meu compadre Cornelio, carpina e oficial de Justiça, mas não sei de Juiz nem de trabalho que o podesse impedir de “entrar” com a Bandeira. Na verdade e infelizmente vai perdendo o prestigio a Bandeira do Rosário. 
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