segunda-feira, 17 de abril de 2017

OPINIÃO: A corrupção do próprio povo


Há algum tempo que o discurso predominante na sociedade brasileira,
influenciado principalmente pela nossa imprensa do Jornalismo da
Obediência, é de que a corrupção nojenta e endêmica foi criada a partir dos
últimos anos, por indivíduos que fazem parte de supostas organizações
criminosas, apelidada assim principalmente por um dos principais juristas
brasileiros, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

E a cantilena segue como uma das principais verdades absolutas do mundo
político, como se a política como coisa em si tenha começado apenas na
última década, como se o resto da história devesse ser esquecida, porque
foi protagonizada por meros moralistas e religiosos preocupados com o bem
estar do povo e com a ética em relações à coisa pública.

E essa dança a partir dessa canção maviosa para os ouvidos segue em frente
porque quem menos sabe sobre política e como ela funciona é exatamente quem
dela deveria se beneficiar, o povo. Este é despolitizado pela sua própria
natureza por ter sempre a memória curta, como pregava Nicollò Machiavelli.

Desde sempre que personagens do mundo político gastam verdadeiras fortunas
para possuir mandatos políticos nos parlamentos e nos executivos, porém os
proventos que recebem nos 48 meses que exercem seu poder, não cobrem tais
gastos de campanhas eleitorais. Mas disso, o povo nada sabe, e se sabe bem
que se esquece, porque para este política é apenas as eleições que
acontecem nos outubros da vida a cada dois anos.

Toda esse belíssimo discurso para audiência não passa de mentira, porque a
corrupção sempre existiu e sempre vai existir, caso não se reforme as
instituições responsáveis pela condução das coisas políticas. A corrupção
sempre vai existir porque ela se faz necessária diante do povo que
despolitizado é mais corrupto do que quem o corrompe, pois recebe dinheiro
da corrupção para dá o seu voto.

O máximo que se discute para a solução do problema é criar mais “currais”
eleitorais, quando se trabalha o discurso de que o povo não deve ser
politizado, como por exemplo, o discurso de Escola Sem Partido. Escola não
é lugar de partido, mas é lugar de formação, e provavelmente todos os
educadores não são comunistas como querem alguns que esbravejam
reacionarismo, mas estão a caça dos votos dos beócios que não sabem como
funciona o mundo político.

Para começar a diminuir a corrupção no mundo político, porque ela não se
acaba assim como querem alguns que estudam mais dos que os outros, a não
ser que se acabe o gênero humano, a saída mais correta seria não ter como
discursam os "esfomeados" pelo poder escola com partido de fato, mas
escolas apropriadas e financiadas pelo próprio Estado para ensinar ao povo
como funciona o Estado Brasileiro, como funcionam os partidos políticos e
como funcionam as estruturas eleitorais.

Assim, e somente assim, o povo não venderia seu voto e não deixaria que
indivíduos que nem mesmo com seus salários de 48 meses de poder custeariam
essas campanhas milionárias, que são então financiadas por empresas que
querem o dinheiro do Estado via licitações públicas e outros meios
jurídicos exigidos, que necessitam dos lobistas no Congresso e nos espaços
executivos.

Não adianta discursar bonito contra a corrupção, enquanto o povo não
compreender o papel da política. Quem primeiro consente a corrupção é o
eleitor que vota em quem mais gasta dinheiro nos três meses que precedem o
processo eleitoral no Brasil. E quem mais contribui com esse distúrbio no
país é exatamente parcela da mídia do Jornalismo da Obediência, que fica
com a grande parcela do dinheiro roubado por empresas para certos
indivíduos serem seus quadros nos parlamentos e nos executivos.

O povo precisa de educação política promovida pelo próprio Estado, porque
quem politiza parcela desse povo no Brasil são os partidos políticos, de
direita e de esquerda. E partido político quer nada mais nada menos do que
o poder, ou seja, controlar o próprio Estado. Enquanto política,
moralismo e juridicismo forem as vertentes ideológicas de uma
pequena minoria conservadora nesse país, a corrupção vai cantar a sua
canção predileta como osmose para o povo.

Fonte: genaldo40.blogspot.com
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