quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Qualificação profissional abre mais vagas de emprego para mulheres

No Rio de Janeiro, as mulheres realizaram mais da metade (99.543) das 168.328 matrículas feitas na educação profissional em 2016


Por Tácido Rodrigues
O sonho de começar o próprio negócio tem alcançado cada vez mais as mulheres. Dados do Sebrae mostram que mais da metade dos novos empreendedores no Brasil são do sexo feminino. Apesar do aumento recente nos postos de trabalho e representar mais de 50% das pessoas com ensino superior, elas ainda encontram dificuldades em comparação com os homens. Exemplo disso é que apenas uma em cada quatro empreendedoras no Brasil tem uma empresa com receita bruta maior que R$ 30 mil mensais.
Foi justamente a insatisfação com a falta de oportunidades iguais para homens e mulheres que fez Renata Soares criar a própria empresa. A empreendedora trabalhava em uma fundação que ajuda jovens a se tornarem futuros líderes, e achava frustrante ver que a visibilidade dos ex-alunos homens era maior que das mulheres. Por conta disso, Renata fundou há quase três anos a Impulso Beta, empresa que promove a diversidade de gênero no mercado de trabalho através de treinamentos e cursos. “A Impulso Beta quando foi criada tinha a missão de ajudar a mulheres a avançar nas suas carreiras. Mas aí a gente começou a perceber que era necessário trabalhar com as empresas, para que elas mudassem as suas políticas, práticas, processos, e hoje é isso que a gente faz dentro da empresa”, contou.
Apesar da desigualdade, a qualificação profissional é um dos fatores que tem contribuído na crescente ocupação das mulheres no mercado de trabalho. No Rio de Janeiro, as mulheres realizaram mais da metade (99.543) das 168.328 matrículas feitas na educação profissional em 2016. Depois da capital (38.520), Nova Iguaçu (6.004) e Duque de Caxias (5.784) são as cidades com maior presença feminina quando o assunto é capacitação. Nos três municípios, a maioria das mulheres matriculadas tem entre 15 e 17 anos e se considera branca (22.568). Os dados são do Censo da Educação Básica 2016.
Na política, a representatividade feminina também é pequena se comparada com os homens. Dos 513 deputados federais eleitos em 2014, apenas 51 eram mulheres. Isso significa uma proporção de menos de uma mulher para cada dez deputados homens. Uma das parlamentares que compõem a bancada feminina da Câmara dos Deputados, a deputada Cristiane Brasil, do PTB carioca, lamenta que as mulheres não tenham o mesmo espaço que os homens no ambiente político. “A principal barreira para a entrada das mulheres na política continua sendo o financiamento. Hoje nós vivemos em uma realidade onde há uma demonização das relações entre público e privado. E obviamente, profissionais liberais, mulheres que fazem essas ações sociais, que tem trabalhos riquíssimos e belíssimos diante dos seus liderados, não tem financiamento privado para poder se empoderar e concorrer a vagas no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais”, disse.
Dados divulgados pela União Inter-Parlamentar (UIP) indicam que de um total de 190 países, o Brasil ocupa apenas a posição de número 116 no ranking de representação feminina no Legislativo. Para se ter ideia do que isso representa, superam o Brasil em termos de participação de mulheres em parlamentos países como Jordânia, Síria, Iraque, Paquistão e Arábia Saudita.
Fonte: Agenciadoradio
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