sábado, 7 de julho de 2018

A eliminação do Brasil na Copa reflete a supremacia europeia no futebol

A derrota para a Bélgica amarga não só pela óbvia saída brasileira da Copa e a interrupção do sonho do hexa.
O adeus prematuro aborta a tentativa de equilibrar as forças do futebol no plano internacional e rebaixa de vez o nosso continente ao papel secundário de exportador de talentos.
Até o penta do Brasil, em 2002, havia um revezamento natural entre América do Sul e Europa, centros tradicionais da prática do esporte, na conquista do torneio – e nenhum dos dois continentes havia faturado três vezes seguidas a competição.
A queda brasileira na Rússia, somada à derrocada uruguaia mais cedo, ampliou o fosso aberto na copa passada e consolidou a supremacia europeia – agora, só seleções do Velho Continente podem ganhar em 2018.
O fenômeno se escora – e retroalimenta – no fortalecimento contínuo dos torneios europeus em detrimento dos campeonatos sul-americanos, cada vez mais subvalorizados na comparação com os rivais do além-mar.
O dano do eurocentrismo é evidente: em vez de turbinar nossas competições com craques locais, assistimos a partidas com jogadores recusados pelo mercado da bola ou prestes a serem comprados pelos supertimes de lá.
Talentos zarpam daqui cada vez mais cedo, seduzidos por propostas milionárias, e inspiram o sonho de jogar na Europa como sinônimo de realização profissional.
Nossos técnicos precisam “aprender” a moda europeia de jogar para serem validados pela mídia nativa, cada vez mais embasbacada com esquemas e modelos estrangeiros.
A combinação do desterro profissional com a importação da “visão de jogo moderna” – aliada, claro, às falcatruas dos dirigentes e dos negócios escusos das transmissões – ameaça até mesmo a nossa identidade futebolística, porque já não enaltecemos e aplicamos o modo próprio de jogar.
O horizonte não é animador: a cada copa, esse termômetro sazonal do futebol, o funil das fases finais nos empurra para a série B da elite da bola.
Fonte: acaopopular
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