quarta-feira, 25 de julho de 2018

Depois da EBDA e outros órgão, governador Rui Costa coloca em jogo agora o futuro das universidades. Curso de Agronomia, em Juazeiro, não tem recurso pra nada

Da Redação do AP
No inicio do governo Rui Costa (PT) houve a readequação em alguns órgãos da máquina do Estado. Isso significou, na verdade, a extinção com demissões de trabalhadores. Muitos dos ex-funcionários estão passando necessidade a esperas do pagamento dos direitos trabalhistas, outros preocupados devido a idade avançada e a concorrência desleal no mercado de trabalho. Nesse imbróglio houve caso de funcionário perto de se aposentar morrer de infarto ao receber a noticia sobre a demissão.  Órgãos como a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), a Empresa de Turismo da Bahia S.A (Bahiatursa),  o Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (Derba), e a empresa Baiana de Alimentos S.A (Ebal) – ligada à Cesta do Povo -, foram atingida pelos decretos do governador em 1 de dezembro de 2014. Hoje a preocupação dos formadores de opinião no estado está voltada para o destino das universidades caso ‘Rui Correria’ seja reeleito.
Professor Jairton Fraga relata drama vivido nas universidades causado pelo governo ‘Rui Correria’
A reportagem do AP entrevistou o professor do Departamento de Tecnologia e Ciência Sociais (DTCS), Campus III de Juazeiro, Jairton Fraga que mostrou sua preocupação com o futuro das universidade estaduais de Feira de Santana (UEFS), do Sudoeste da Bahia (UESB), de Santa Cruz (UESC) e Universidade do Estado da Bahia (UNEB) devido as investidas do atual governo em contingenciar 55% dos recursos no valor total de R$ 1,2 bilhão o que causará dificuldades de funcionamento para todas as unidades.
“É grande a minha preocupação com as quatro instituições de ensino superior. O contingenciamento de 55% dos recursos  pelo Governo do Estado para o orçamento significa literalmente a paralisação destas unidades comprometendo a realização de pesquisas, o ensino  e ainda as atividades de extensão que depende de recursos mínimos para que elas possam ocorrer. Se estas atividades essenciais forem reduzidas, o impacto cairá sobre os 15 milhões de baianos, isso porque a universidade tem em torno de 30 mil alunos  presenciais, fora os cursos e outros programas correlatos”, detalhou.
Ele ainda mostrou a sua preocupação para os alunos oriundos de escolas públicas que adentaram na faculdade. “Esta redução vai impactar principalmente o aluno pobre, sendo que a faculdade tem 40% de suas cotas destinada  à alunos de escolas públicas. Isso ainda compromete a qualidade do ensino”, ressaltou Fraga.
O velho Bororó (ônibus) é parte do patrimônio de Juazeiro e jamais deveria ser destinado a um governo vermelho comando por seu Rui Costa que não tem responsabilidade ou compromisso com a história da velha Faculdade de Agronomia. O desprezo deste veículo é o exemplo de como o governo trata as universidades
Equipamentos sucateados
Ainda de acordo o Professor, as condições vividas hoje no Departamento de Juazeiro não são agradáveis. “A frota hoje está completamente sucateada, para se conseguir a aquisição de veículo é muito difícil, o governador não autoriza sendo que o carro mais novo na UNEB, em Juazeiro, tem cinco anos, nós temos um ônibus com 25 anos de uso, e mesmo assim eles pediram para que devolvêssemos todos, isso aconteceu na época em que eu fui diretor reagindo contrariamente a esta solicitação. Caso fossem liberados, ficaríamos sem  locomoção, isso provavelmente esteja acontecendo em todos os departamentos”, falou desapontado.
Por esta sala saíram vários professores, a exemplo de Chureu com seus alunos
Situação dramática na área de pesquisa
Os problemas gerados por falta de recursos estão afetando áreas primordiais da antiga Faculdade de Agronomia. “Os equipamentos de laboratórios que são essenciais para pesquisas, para se desenvolver o TCC, uma dissertação de mestrado, tese de doutorado, impacta bastante no desenvolvimento. A situação da faculdade hoje é dramática, de paralisia geral”.
Este laboratório serviu de referência durante anos no Vale do São Francisco. Hoje funciona de maneira limitada

Reitores de braços cruzados
“Eu não sinto enfrentamento por parte dos reitores das unidades, pois  eu acho que eles são eleitos para defenderem a instituição, para gerir, administrar, mas não observo este enfrentamento. O reitor da Universidade Estadual de Feira de Santana, ele ainda faz algum grau de enfrentamento, sendo que os demais não observo isso”, lamentou.
Um dos principais patrimônios históricos de Juazeiro, o aqueduto está vazando com galhos de arvores infestados em sua base, o que pode colocá-lo ao chão. Sem condições financeiras, a situação é dramática no DTSC
Projetos parados
A reportagem do AP esteve visitando as dependências do DTCS e viu de perto algumas obras paralisadas e   estruturas históricas necessitando de recuperação com urgência a exemplo aqueduto. “Temos hoje um prédio em construção que está paralisado há 2 anos. A construção começou na minha gestão com recurso da administração superior da universidade, e hoje não temos ainda uma convicção de quando esta obra vai ser retomada. Estou citando uma obra, pois isso se espalha por outros departamentos, e o argumento deles é de falta de recursos que não estão sendo repassados pela Secretaria da Fazenda do Estado”.
Estudantes da antiga Famesf tem o seu lugar na história dos movimentos em Juazeiro. Nos anos 70 e 80 existiam problemas, mas não como agora como querem fazer o mesmo que fizeram com a EBDA
Futuro temerário
A UNEB é uma universidade que foi criada com o objetivo de incluir estudantes de classes menos favorecidas da sociedade oriundos de escolas públicas, no entanto, hoje ela começa a perder o seu rumo colocando em risco o seu futuro devido as investidas negativas do governo petista. “Será que nós agora seremos obrigados a oferecer um ensino de péssima qualidade? O governo tem que nos responder o porque deste contingenciamento. Em seus discursos nessas caminhadas eleitoreiras diz que as contas estão em dia, organizadas, que a Lei de Responsabilidade está sendo rigorosamente observada, mas por outro lado a gente vê  que não falta recursos para colocar asfalto em cima de calçamento. Estes recursos poderiam ser direcionados para hospitais, escolas, universidades, esgotamento sanitário, etc. Diante deste cenário eu não sei qual é a prioridade deste governo”.
Paralisação na execução de projetos
O professor está coordenando  um centro de pesquisa com alunos, e devido a escassez de recursos pode acontecer a qualquer momento a suspensão das atividades.
Foi através da Faculdade de Agronomia que começou a surgir a UNEB. Neste local funcionou o antigo horto, um dos centros de abastecimento em hortaliças e frutas de Juazeiro, através do Ministério da Agricultura
“Se não tem recurso para tocar, como se trabalha? Eu coordenado este centro, sendo que de janeiro à julho recebi apenas R$ 9 mil. Como é que faço o trabalho nestas condições?  Imagino que este cenário esteja acontecendo nas outras universidades,” comparou.
Estudantes durante tempos de glórias nos movimentos no centro da cidade
Governo vermelho do PT humilha e maltrata funcionários
“Estamos há quatro anos que não temos reajuste salarial. O governo não dialoga com o nosso sindicato, sendo que nesta quinta-feira vai haver uma assembleia em Salvador da categoria, o que pode surgir um movimento de paralisação. Os direitos trabalhistas foram suprimidos no governo Rui Costa como nenhum outro governo na história da Bahia. Não receber o sindicato caracteriza uma retaliação”, detonou.
Professor lamenta o descaso praticado pelo governo de Rui Costa que pretende se reeleger podendo, e com isso, colocar em plano o fim das universidades estaduais como fez com alguns órgãos
Sobre possível retaliação à quem se manifestar sobre as atrapalhadas do governo petista no estado, o Professor Jairton se mostrou seguro. “Com este governo autoritário tudo é possível. Nós temos história de vida, de enfrentamento em prol da democracia…Ele não me intimida porque vou continuar denunciando a situação equivocada que houver – fazendo de forma respeitosa -, mas sempre apontando os grave problemas dentro da universidade. Agora acho também que a universidade tem que parar de se colocar de quatro, e se colocar de forma altiva, porque é uma universidade que representa o interesse de 15 milhões de baianos  e não de um governo – que vai passar em algum momento. Não me intimidarei porque a situação da universidade hoje é muito grave. Eu desconfio que o objetivo deliberado é de fragilizar as universidades para que   em 2019 – depois da reeleição do governador – alguma medida mais forte seja tomada por ele”.
Deputados viraram as costas para a UNEB
Questionado se algum deputado teria destinado recursos através de emenda para o Departamento, ele foi objetivo. “A omissão dos deputados de situação e oposição foi completa. Ninguém colocou nada, quem nos visitou ultimamente foi o ministro Edson Duarte, que quero agradecer. Ele sinalizou algumas possibilidades de ajuda para execução de projetos. No entanto, os deputados daqui, e aqueles tiveram votos em Juazeiro e região, nunca nos procuraram  para saber da situação que se encontra a faculdade”, concluiu.
O espaço da faculdade poderia ainda ser incluído na programação turística da cidade

Com a palavra o Governo do Estado.
Fonte:açãopopular
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