sexta-feira, 24 de agosto de 2018

“Criminoso é oportunista, não tem partido”, dispara Sérgio Moro em simpósio realizado em Salvador

por Bernardo Rego no dia 23 de agosto de 2018 às 16:39
Foto: Nelson Almeida/Getty Images
Em evento realizado na manhã desta quainta-feira (23), no UCI do Shopping Barra, em Salvador, o juiz federal Sérgio Moro recebeu a Medalha Tiradentes, concedida pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), e ratificou a importância de forças-tarefas, além de reconhecer diferenças entre Polícia Federal e Ministério Público.
Durante o III Simpósio Nacional de Combate a Corrupção, o magistrado foi questionado sobre a polêmica envolvendo a prisão preventiva, já que muitos criminosos passam muito tempo cumprindo penas sem que o processo chegue ao fim. "Não há dúvida que a prisão deve seguir o julgamento, e não preceda. Mas a lei prevê a prisão cautelar por diversos motivos, inclusive para evitar a repetição do crime. Prisão preventiva é necessária, e quando há necessidade e prova robusta não fere o devido processo legal”. 
Ainda discorrendo sobre a temática, Moro comparou a corrupção sistêmica e a necessidade da prisão cautelar ao famoso caso do 'Maníaco do Parque': “Não precisa o fim do processo para prender o indivíduo que comete o crime reiteradas vezes. É importante (a prisão) para mandar uma mensagem forte que a Justiça tem que passar para sociedade brasileira que é: basta. Chega. Isso tem que parar. Ele ainda brincou sobre essa questão: “foram 115 prisões preventivas segundo dados do MP. Pra mim deveria ter tido mais, porque sou um juiz liberal”, disse arrancando risos da plateia. 
Outro tema tratado foi segredo de justiça e ele pontuou que crimes conta o erário público deve ser conhecido por todo. “No crime contra a administração pública a publicidade é mandatória. Antes diziam que Moro vazava isso ou aquilo. Moro não vazava nada. Eu não produzo as provas. Eu recebo e sou mensageiro e não há nada de errado nisso. Errado foram as ações que originaram as provas”. E bradou: “não consigo entender que em alguns lugares existam ações penais por crimes contra a administração pública sem que isso tenha a devida publicidade”, afirmou.
Moro também se posicionou contra o foro privilegiado. “Os tribunais superiores não têm condições de dar a celeridade necessária aos processos com foto privilegiado. Isso gera impunidade e é contrário ao preceito básico da democracia de que todos são iguais perante a lei. Acho que deve extinguir para todas as autoridades, inclusive juízes. Não faço questão disso. Aliás, acho até inconveniente. É preciso evitar ou eliminar por completo”, destacou. 
Ao ser questionado por integrantes da plateia e pelo mediador, o juiz rechaçou a ideia de propensão dessa ou daquela ideologia política à corrupção: “não vejo assim. A corrupção atinge a esquerda e a direita. Dizem que a Lava Jato foi usada para perseguir partidos e lideranças de esquerda. Se estamos num processo de corrupção governamental, se isso envolve executivos da principal estatal do País e diversos empresários, é natural que os casos envolvam os políticos dessa coalisão e completou: “criminoso é oportunista, não tem partido”, concluiu.
Fonte: radardabahia
Home Ads