sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Marina Silva (Rede) justifica opção por Aécio em 2014, impeachment e Reforma da Previdência; confira

por Neison Cerqueira no dia 30 de agosto de 2018 às 21:39
Foto: Adriano Machado / Reuters
Na noite desta quinta-feira (30), a candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) foi a quarta a ser entrevistada na Sabatina do Jornal Nacional, da Rede Globo. Logo no primeiro momento, o jornalista William Bonner questionou a dificuldade que Marina teve para criar o seu partido, já que alguns integrantes deixaram a legenda. “As divergências não são divergências 'irresolvível'. Eu firmei convencimento por impeachment e, em função disso, houve divergência dentro da Rede. Mantenho excelente relação com essas pessoas que saíram da Rede”, explicou. Bonner insistiu no assunto e questionou se isso não fez com que a líder da Rede perdesse a liderança e autoridade. "Ser líder não é ser dono do partido. Ser líder é aquele capaz de dialogar com os diferentes", retrucou.
Marina seguiu defendendo sua conduta dentro do partido e justificou que as posições alheias foram devido ao impeachment sofrido por Dilma Rousseff, que teve seu apoio. "Impeachment não é golpe. Dilma e Temer são farinha do mesmo saco, cometeram o mesmo crime. Nós defendíamos a cassação da chapa", ressaltou, e completou: "Hoje a política se dá com decisões compartilhadas”. Ainda sobre o impeachment, ao ser perguntada sobre como liderar o país, Marina duvidou de que essas pessoas sabotassem o seu governo. “O Itamar Franco experimentou isso, ele não tinha base. Ele conseguiu juntar pessoas de diferentes partidos. Eu vou ser um governo de transição”, afirmou.
Vasconcellos apertou a candidata em relação a sua posição quanto a Reforma da Previdência. Sem titubear, Marina afirmou ser a favor da reforma. "Eu defendo a Reforma da Previdência e tenho as diretrizes. A gente vai debater a idade mínima. A gente vai da cultura dos pacotes. Quando alguém diz que vai debater e dialogar, parece estranho", resumiu. Vasconcellos insistiu sobre o tempo (8 anos) que a candidata teve para amadurecer algumas ideias da reforma previdenciária. “Sobre idade mínima, nós vamos manter a diferença entre mulheres e homens. Enquanto as mulheres têm sobrecarga de trabalho, elas têm direito de se aposentar mais cedo”, garantiu.
A candidata afirmou que “o governo Temer, sem debater, discutindo apenas com um lado, disse que ia fazer reforma da Previdência e não fez” e completou: “Não se pode achar que algo que mexe com a vida de tantas pessoas pode ser feito a toque de caixa”, criticou, referindo-se a forma em que Michel Temer (MDB) conduziu um processo importante para os brasileiros. Para ela, "resultado é tão importante quanto processo", disse. Os jornalistas insistiram que Marina apenas quer ‘debater’ sobre o assunto. “Vou ouvir especialistas, empresários e trabalhadores para fazer a Reforma da Previdência", respondeu.
Sobre os recentes escândalos envolvendo alguns políticos, Bonner provocou a candidata sobre o apoio dado a Aécio Neves (PSDB) em 2014. "Aqui cada um de nós votou em alguém. Alguém escolheu um candidato de 2º turno. Não teríamos votado se tivesse as informações da Lava Jato", rebateu. Marina seguiu: "Todos eles, Aécio e Dilma, praticaram a crime de caixa 2. Hoje não teria votado em Aécio”, pontuou. O jornalista, então, questionou a candidata sobre o excesso de dinheiro que tinha na campanha do PSB – quando Marina fazia parte do partido. "A Justiça ainda está investigando o caso de Eduardo Campos. Não tenho compromisso com erros", respondeu.
Bonner questionou a participação da Rede em coligações com o PT, PSDB. Partidos esses que Marina considera corruptos. "É corrupção brava", definiu. O jornalista, então, perguntou se o eleitor não pode achar que suas críticas [aos partidos] são insinceras e oportunistas. "No plano nacional, não estamos coligados com PT nem PSDB. No Rio Grande do Sul, estamos coligados com um jovem que foi prefeito de Pelotas. Não tem acusação que pesa com ele”, justificou. “Pessoas boas existem em todos os partidos. Se a gente for olhar para partido, fica difícil qualquer diálogo político. Temos que olhar para as pessoas”, completou. Em relação a aliança formada com o Partido Verde (PV), Marina disse que “nunca teve divergências com o Eduardo Jorge”, candidato a vice em sua chapa pelo PV. "O que importa é que PV e Rede têm mais convergências que divergências. A aliança é inteiramente programática”, justificou e seguiu: "Incoerência é fazer aliança por tempo de televisão, em troca de dinheiro pra contratar marqueteiro para enganar a população", afirmou.
Sobre o agronegócio defendido por ela, Marina declarou que “muita gente trata o agronegócio como se fosse homogêneo. Estive ontem no encontro da Confederação Nacional de Agricultura. Fui muito bem recebida". "Quando entrei no Ministério do Meio Ambiente, eu fiz o licenciamento de várias hidrelétricas", argumentou. “A hidrelétrica de Jirau, o licenciamento foi dado na minha gestão. A BR-163, Transposição do São Francisco”. Marinha disse ainda “ que tinha uma equipe com capacidade técnica, o licenciamento não foi feito por encomenda". "Tudo que nós fizemos foi feito de acordo com lei", avaliou o seu período como ministra de Meio Ambiente nos governos do PT.
Por fim, a candidata respondeu qual é o Brasil que ela quer para o futuro. "O Brasil que quero pro futuro é o país onde nenhuma pessoa tenha que passar pela humilhação de não ter emprego. Sou mulher, negra, fui doméstica, muita gente acha que pessoa com minha origem, acha que não tenho capacidade pra ser presidente. Muita gente me admira como uma pessoa que é exceção. Mas não quero um país de exceções, quero um país de regras", finalizou.
Fonte: radardabahia
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