ACM Neto quer se preparar para montar chapa em fevereiro ou março, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Ex-prefeito de Salvador ACM Neto, que estudo cenários para a composição nacional e montagem da chapa estadual visando 2022

Enquanto joga com a estratégia de buscar regionalizar a campanha, reforçando a ideia de seu preparo e habilidade para governar independentemente de quem seja o próximo presidente da República, o pré-candidato do DEM ao governo ACM Neto evita assustar a faixa dos eleitores antagônicos do ex-presidente Lula (PT) e do presidente Jair Bolsonaro que julga poder atrair para ajudá-lo na batalha sucessória contra o atual governo. Por este motivo, ele deve empurrar com a barriga o quanto puder qualquer definição quanto a quem apoiar no plano nacional.

Com relação a Lula, o democrata se aproveita de um sentimento, captado por pesquisas em poder dos dois lados, segundo as quais a média do eleitor baiano é grato e reconhecido ao ex-presidente, principalmente devido aos programas sociais e à sensação de prosperidade dos primeiros anos petistas, e estaria disposta a cooperar para que se eleja presidente no Estado sem descartar, no entanto, o apoio a um nome novo que já tenha sido testado e possa tocar a administração estadual sem sobressaltos, perfil em que se enquadra.

A situação chegaria a apontar para uma espécie de movimento “Lulaneto”, o mesmo que “Neto aqui e Lula lá”, evocando um fenômeno já ocorrido em eleições anteriores em que o eleitor estadual impõe ao candidato presidencial um nome de sua preferência para o governo, rompendo com a tradição da sucessão casada, na qual o nome nacional puxa quem ele quer na disputa regional, algo que funcionou nas últimas pelo menos quatro sucessões baianas. No caso do eleitor bolsonarista, o democrata acharia possível atrair, por outro lado, o de perfil não radical que mantém, no entanto, aceso no peito o anti-petismo.

Dentro desse cenário, Neto não descartaria marchar com um candidato presidencial que não lhe traga rejeição na Bahia ou mesmo se lançar sozinho, com palanque aberto, caso em que não se comprometeria com nenhum dos que venham a integrar o time de presidenciáveis. Hoje, aparecem com mais chances de compor com ele nomes como o do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no caso de conseguir se viabilizar internamente nas prévias do PSDB, e até o de Ciro Gomes, do PDT, que em passado recente surgiu com maior perspectiva de aproximação com o ex-prefeito de Salvador.

A repercussão de uma eventual composição nacional sobre o processo de montagem da chapa netista é claro e deve tirar do partido do presidenciável a condição de indicar nomes para as vagas de vice ou ao Senado, abrindo espaço para seu entendimento com mais siglas no Estado. Em todo o caso, Neto tem dito a amigos que se prepara para montá-la no mais tardar entre fevereiro e março do ano que vem, quando acredita que o cenário, em especial, o nacional estará mais claro tanto do ponto de vista político como, principalmente, econômico.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro* 

FONTE: Politicalivre

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