BRASIL: Lava Jato na Receita Federal; auditores recebiam propinas

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal cumprem 14 mandados de prisão nesta quarta-feira contra auditores e analistas da Receita Federal . No total, são nove prisões preventivas e cinco temporárias. O principal alvo é o auditor Marco Aurélio Canal, supervisor de programação da Receita na Lava-Jato do Rio. os policiais buscam por alvos da operação em Campo Grande, Botafogo, Barra da Tijuca e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A ação, denominada Armadeira, cumpre outros 39 mandados de busca e apreensão prisão preventiva, todos expedidos pela 7ª Vara Federal Crimina do Rio. Em três anos de Lava-Jato no Rio, os investigadores não haviam visto ousadia parecida. O enriquecimento ilícito de réus da Lava-Jato, revelado pelas operações iniciadas em 2016, serviu de matéria-prima para um esquema de extorsão praticado por auditores fiscais da Receita Federal. O grupo usava peças de inquéritos e de processos, principalmente as que tratavam de acúmulo de patrimônio ou de movimentação financeira do envolvido, para cobrar propina da vítima em troca do cancelamento de multas milionárias por sonegação fiscal. A operação de hoje tem nove alvos de mandado de prisão preventiva e cinco de temporária. Para frear a ousadia dos fiscais, outra ousadia. Com a autorização da Justiça, a força-tarefa da Lava Jato recorreu à chamada “ação controlada”: atrasou propositalmente a prisão em flagrante para registrar todas as etapas do golpe, da abordagem inicial ao depósito de propina em banco português. O esquema foi descoberto pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro depois que um dos colaboradores da força-tarefa, o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, contou que foi procurado pelo grupo de auditores fiscais.

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